Neste artigo – o quinto que escrevo da série sobre Supervisão – quero abordar o processo conhecido como processo paralelo.

O conceito de processo paralelo tem sua origem nos conceitos psicanalíticos de transferência e contratransferência. A transferência ocorre quando o Coach recria o problema e as emoções da relação de Coaching dentro da relação de Supervisão. A contratransferência ocorre quando o supervisor responde ao Coach da mesma maneira que o Coach responde ao cliente/Coachee. Assim, a interação de supervisão reproduz, ou é paralela, à interação de Coaching.

Em 1955, Harold Searles – um psicanalista americano – usou o “processo paralelo” para descrever como o padrão do relacionamento em uma área é promulgado em outro, sem a consciência do que está acontecendo.

Isso nos permite acessar aspectos do relacionamento supervisionado(a) – Coachee que não estão disponíveis para nós. Esta dinâmica tem dois propósitos para o(a) supervisionado(a). Uma delas é que pode ser uma forma de descarga – “Eu vou fazer com você o que foi feito para mim e você vê se gosta ou não!”

O segundo propósito é que é uma relação do aqui-e-agora na supervisão. O trabalho do supervisor é notar e nomear tentativamente o processo e, assim, disponibilizá-lo para exploração consciente para aprendizagem do(a) supervisionado(a). Se permanecer fora de consciência, o supervisor provavelmente será submerso no processo do processo e entrará na dança como um jogador – e não como um investigador consciente.

A habilidade importante envolvida em trabalhar com o paralelismo é poder notar as reações de uma pessoa e alimentá-las de volta ao supervisionado(a) de forma não julgadora (por exemplo, “eu me sinto julgado, como se eu tivesse que encontrar a resposta certa agora mesmo. Eu me pergunto se é assim que você se sente com o seu Coachee?”).

O processo é bastante difícil de trabalhar, pois estamos lidando com o paradoxo do supervisionado(a), querendo que o supervisor(a) se sinta incapaz como eles se sentiram com o cliente. De Haan (2012: 35-40) sugere que existem três formas de processo paralelo:

  1. o processo paralelo inconsciente da relação de Coaching no relacionamento de supervisão;
  2. o processo paralelo inconsciente da relação de supervisão no relacionamento Coaching, e
  3. o role modelling positivo e consciente do supervisor para fornecer uma maneira de se relacionar que o Coach pode querer adotar em sua prática de Coaching.

Não raro, os casos trazidos para supervisão em Coaching relatam as interações difíceis entre os Coaches e seus clientes e aqui quero chamar a atenção para que não caiamos no erro de tratarmos toda e qualquer dificuldade em supervisão como originada pelo cliente do(a) Coach supervisionado(a) e tampouco sempre originadas por força de um processo paralelo, mas por outros motivos como por exemplo:

  • falta de um contrato claro entre supervisionado(a) e supervisor(a);
  • questões interpessoais entre supervisionado(a) e supervisor(a);
  • conflitos culturais;
  • diferentes estilos de aprendizagem ou até mesmo falta de entendimento sobre como um processo de supervisão deveria funcionar.

E você meu caro leitor, já passou por um processo paralelo? Você tem um(a) supervisor(a)?

Pense nisso! Deixe seu comentário.

Bibliografia

Hawkins, Peter & Smith, Nick – Coaching, Mentoring and Organizational Consultancy – Supervision, Skilss and Development – 2ª. Edição